|
Sabes aquelas coisas que nós achamos que só nos acontecem uma vez e não nos voltam a acontecer nunca mais? Ui dói tanto da primeira vez que pensamos ‘depois disto, que poderá vir mais ? nada mais forte e aterrador que isto poderá acontecer!’ E sem dar por nada, deparamo-nos com essa dor vezes e vezes sem conta e achamos que depois da milésima vez não volta a acontecer. Mas não tarda já está ela de novo a nossa porta. É como um ladrão ele entra sem nos darmos de conta, ele mexe e remexe em tudo e nós sempre sem nos apercebermos. Impressionante, mas parece que além de ladrões são bruxos, é que adivinham aquilo que nós mais gostamos, aquilo que mais tem valor para nós, aquilo que nos custou, quem sabe, meses, até anos a obter ou a construir. Assim é a dor do amor. Sempre ouvi dos mais sábios que’ o amor quando bate, ele bate forte’. E olha que bate mesmo. E eu que pensava que só batia uma vez, ‘oh povo enganado’. Eu amei uma vez, amei mesmo, amei a cada segundo, a cada minuto, a cada hora, a cada dia, a cada momento, Mas amei mesmo. Bateu mesmo cá dentro, tão forte que o ladrão passou a porta, viu que a minha ‘riqueza’, a minha felicidade era tanta e veio quando menos eu esperava e de um momento para outro roubou tudo o que eu tinha de melhor na vida. Roubou o que levei anos a construir, roubou aquilo que eu tinha de mais valioso. Mas o ladrão, a quem dei o nome de dor, trouxe consigo a mágoa, a revolta, a solidão, o desespero, a raiva e o ódio como cúmplices. Eu tentei, mas não consegui de maneira nenhuma defender-me. E eu que achava ser forte, que achava saber lidar com tudo, eu que sempre dei conta dos meus problemas sozinha, cai de joelhos e lá fiquei, apenas olhava à minha volta e nem consegui impedi-los. Mas como se diz por aí, o tempo cura tudo. Levou muito tempo, mas a ferida sarou. A dor da perda foi superada. Encarei a realidade e decidi seguir em frente e reconstruir aquilo que me foi roubado. Prometi a mim mesma estar mais atenta e arranjar um sistema de segurança que não me desiludisse desta vez. Pensava que não voltaria a acontecer, pois certifiquei-me que estava mesmo segura e que mais nenhum ladrão poderia levar aquilo que andava a reconstruir. ‘Pobre inocência.’ Desta vez o ladrão que passou à minha porta foste tu, mas olhando para ti, quem diria que eras um ladrão? Mas como já dizia a minha avó ‘ as aparências iludem’. Chegaste de mansinho, com um sorriso simples e meigo, o teu olhar tão profundo e sincero, a tua voz tão doce e suave, era impossível achar em ti mal algum. Convidei-te a entrar. Entraste, deixei-te à vontade, fiz-te sentir ‘em casa’ pois queria mesmo conhecer-te. Passamos horas à conversa, cativavas-me com cada palavra que dizias. A tentação de voltar a ter-te por perto era tanta que te convidei a passares por minha casa de novo no dia seguinte. Sabes depois de ires embora, nesse dia, eu fiquei a pensar se não seria demasiado arriscado dar tanta confiança a alguém que não conhecia de lado nenhum e ainda por cima sabendo aquilo que tinha acontecido no meu passado. Mas pensei que era apenas o meu maior inimigo, que tem por nome, medo a querer assustar-me. No dia seguinte, como combinado, lá estavas tu com o mesmo sorriso, com o mesmo olhar, com a mesma voz, falamos tanto mas tanto que parecia conhecer-te há anos, descobrimos que tínhamos tanto em comum, o que despertou mais interesse ainda. Deste-me a conhecer a tua maneira de ser tão transparente e fascinante, que me cativava a cada instante. Voltaste no dia seguir, no outro também, e daí a uma semana e sem me aperceber, porque nunca achei em ti maldade, roubaste-me aquilo que tinha andado a reconstruir nos últimos tempos, a única coisa que o outro ladrão me tina deixado e ,que mesmo assim, estava em mil pedacinhos. Roubaste o meu CORAÇÃO. A principio considerei-te um ladrão diferente, um ladrão que se calhar estava a tentar mudar de vida, por isso quis ajudar-te e entreguei-te o meu coração, confiei em ti. Mas, antes de vires bater à minha porta, já te tinham roubado o coração e então não mo pudeste dar. Mas esse alguém a quem o entregaste não passava de um ‘simples lobo vestido de pele de cordeiro’. Entregaste-o a quem não te merece, a quem te magoa, a quem não reconhece o teu precioso valor. Entregaste o teu coração de ‘mão beijada’ ao ladrão da dor e aos seus cúmplices sem te aperceberes. E eu que pensava que ele só tinha passado por mim!
Então pensei numa maneira de poder ajudar-te e decidi arranjar cúmplices e tentar roubar o teu coração. Falei com a felicidade, com o verdadeiro amor e com o carinho e eles aceitaram a minha proposta. Agora só depende de ti, se deixares a porta aberta eu prometo passar por ai de mansinho, como tu passaste por mim, sentar-me do teu lado, ajudar-te a encaixar todos os pedacinhos do teu coração, fazer com que me o entregues e que me deixes ocupar o vazio que nele existe. Eu dou-te a minha mão, tu dás-me o teu coração e deixa-te levar por mim. Hoje sim, recuperei o verdadeiro significado da palavra ADORO-TE, e tudo graças a ti :$
Texto de: Tatiana Cabral
|
:p